Quente. É o outono na Matinha. Sim, o frio chegou pela sombra, e está à espera lá fora. Ele bate à porta e tenta enfiar-se pelas frestas das janelas. Mas, o calor da casa passa-lhe por cima e barra-lhe a entrada. Triste e derrotado, o frio acaba sempre a ir dar uma curva.
O ambiente é decorado com a serenidade que a meia-estação trouxe, quando levou as primeiras folhas. Na lareira ardem os galhos, com um crepitar feliz por ver aberta a época. Quem se senta numa sala ou noutra, enrosca-se para ficar.
O resto, é simples. Baseia-se em leituras perdidas nas páginas; em passeios à procura do que mudou na Natureza; em queimar os últimos cartuchos em praias desertas; e em lanches de bolo caseiro e chá de camomila. Ah, e, no meio disso, há um espetáculo imperdível que se desenrola devagar, lá fora. Não tem hora marcada, mas convém reservar lugar em frente à janela. É que, na tela de vidro, há um filme a ser projetado a cores alaranjadas. E o enredo fala de todas as coisas maravilhosas que se descobrem ao embarcar nesta estação chamada “Outono”.


